terça-feira, 17 de abril de 2018

Corrida na Telinha


Chegou daquele longão e só quer ficar no sofá zapeando canais, ou melhor, buscando alternativas nos serviços de video por demanda? Bom, se quiser continuar no pique da corrida, a Netflix oferece umas opções bem interessantes para quem quer se distrair com filmes, documentários e similares sobre o esporte. Veja bem, não estou sendo patrocinado, mas como eu sou usuário do serviço, aqui vão algumas recomendações que valem a pena dar uma conferida, e uma vez que o algoritmo deles que tenta advinhar o que você gosta nem sempre acerta, nada como buscar a informação aqui no blog (se clicar no título, um pouco mais de informações e trailers no site IMDB):



The Race That Eats Its Youngs: o subtítulo é a melhor descrição desta modesta ultramaratona pelas montanhas e trilhas do Tenesee, algo do tipo “a corrida que devora seus próprios filhos”. Tudo começa com um sujeito, Gary “Lazarus Lake” Cantrell, que resolve criar um evento onde cada corredor daria 5 voltas em um percurso montanhoso, cada uma com uns 40 Km cada, mas com obstáculos e instruções nada fáceis de enfrentar. Talvez por não ser muito comum no Brasil este tipo de prova fique difícil traçar um parâmetro da dificuldade, mas para que o espectador tenha uma ideia, logo no início já se explica quem nos primeiros 25 anos de existências, apenas 10 corredores terminaram o percurso. E aí, vai encarar?

 

O documentário que mostra a estória de um grupo de americanos obesos que decide mudar de vida e perder peso, assimilando entre outros hábitos, a corrida de rua. Um time formado por blogueiros e outros convidados com os mesmos interesses em entrar em forma resolve se juntar de diversas partes do continente norteamericano para correr a Ragnar Relay, prova de revezamento na Flórida, um percurso de 200 milhas (aproximadamente 320 Km) apoiados por suas equipes acompanhando em duas vans. É um filme do tipo “a corrida salvou minha vida”, como tantas outras estórias, mas vale a pena, o exemplo de dedicação do grupo, contando e mostrando fotos do antes e depois é impressionante, estórias de vida que realmente mudaram com o hábito da corrida.


Aqui o assunto não é corrida, mas sim o triatlon, especificamente o Ironman. Encontrei uma produção espanhola chamada “100 metros”, onde a resenha informava que o enredo tratava de um homem diagnosticado com esclerose múltipla e que decidia fazer um Ironman. Ficção demais? Esta era a estória real de Ramón Arroyo, e para quem acha que só Hollywood produz filmes magníficos, é hora de repensar os conceitos. Muito da trama é a receita padrão das produções esportivas que já assistimos milhões de vezes: mudança radical na vida de alguém (que é um atleta mas ainda não sabe), conflitos familiares, algumas piadinhas bem encaixadas, um treinador que tem um passado no esporte (oops, spoiler!), mais conflitos e um trecho final daqueles de arrepiar os pelos do tapete da sala.


Uma estória de corridas em pista e Olimpíadas que nem todo mundo conhece, e que vale a pena não só pelo trocadilho (Race = Corrida ou Raça) mas pelo conteúdo dramático de todo racismo que existia na época. A trajetória de Jesse Owens é contada mostrando como a sociedade da época se comportava com a presença de negros, inclusive com o ponto alto os Jogos Olímpicos de 1936 onde o atleta bate a “supremacia ariana” bem debaixo do nariz de Hitler e seus generais. Produção hollywoodiana, excelente.


Muitos brasileiros trocam o mau hábito do sedentarismo, o cigarro ou muitos outros vícios pela corrida, e a maioria se orgulha do resultado. Mas neste documentário, a realidade retratada é um pouco, ou melhor, bem diferente da nossa: no Quênia, onde os números mostram mais de meio milhão de armas ilegais e violência altíssima, o governo ofereceu aos ladrões de gado anistia e um par de tênis de corrida para quem entregasse suas armas voluntariamente. E esta é a estória de 2 indivíduos que aceitaram a oferta, mesmo já possuindo um passado de violência e mortes. O interessante desta produção canadense é o rumo que cada um toma após iniciar seus treinos, mas não vou contar aqui para não gerar spoilers. E para quem acha que o país que mais produz campeões nas competições incentiva cegamente o ingresso no esporte, preste bastante atenção como a família trata os troféus conquistados, que a menos que coloquem comida na mesa, são meras tranqueiras para serem exibidas.


Saindo cada vez mais de Hollywood, vamos para a Coréia do Sul (sério?) com esta produção que mostra a estória de um garoto autista cuja mãe observou que a corrida o deixava mais calmo e concentrado, e que incentivado pelo professor de natação se inscreve... em uma maratona. Bom, sabemos que existem “etapas” na vida de qualquer corredor para chegar aos 42.195 metros de uma maratona, mas o filme é inspirado, e não baseado, em fatos reais, e a trama conduz a um desfecho muito bonito. Interessante observar os personagens como o treinador que não está nem aí para o pupilo (até rouba seu lanche), a mãe que muda de ideia sobre a competição e a visão de como a corrida pode ser interpretada por um autista. Sim, vale muito a pena conferir.


Vai acontecer de você em algum momento pensar que um filme é sobre corrida... e acaba sendo outra coisa que não esperava. É o caso desta produção Argentina, meio suspense, meio dramalhão, a única ligação com a corrida é o fato do protagonista sair para correr pelas belas paisagens planas e frias de Buenos Aires, mas mesmo assim não encantou muito. Fica a resenha, não a dica.

É possível que novos títulos apareçam, afinal a programação destes serviços de video por demanda é dinâmica e muda constantemente. Porém quanto mais você assistir (e classificar!) este tipo de produção, mais ela irá surgir em sua lista de sugestões.

Quer contribuir com algum título? Fique à vontade para sugerir nos comentários do post.

P.S.: o blogueiro não está sumido porque só assiste TV, na verdade o que mais faço é correr... quem sabe daqui a algum tempo eu não tenha algo totalmente inédito para contar aqui...

 


domingo, 31 de dezembro de 2017

O momento mais incrível de 2017

Como eu disse no post anterior, ainda tinha mais um assunto para este fim de ano, e guardei para o final a recordação do melhor momento de 2017. Foram muitas linhas de chegada, medalhas, kits, mas neste ano que passou tive a satisfação de participar do grupo Pernas de Aluguel na SP City Marathon, correndo, ajudando a conduzir e conferindo de perto a alegria e seriedade da equipe. Segundo o próprio site do Pernas de Aluguel, o objetivo é “promover diversão para pessoas com deficiência motora e proporcionar aos atletas voluntários a oportunidade de transformar a linha de chegada em algo mais especial do que normalmente é.”. Cada palavra desta frase faz todo o sentido quando se está no grupo, e fico até um pouco chateado de não ter conseguido participar de outras provas, a única que estava inscrito e que coincidia com meu calendário era a SP City Marathon. A seriedade do trabalho é tão grande, que não são permitidos “pipocas” nas provas em que a equipe está, mesmo com a camiseta oficial.
Corri com o grupo até o Km 20, quando havia a separação entre a Maratona e a Meia, pois eles estavam participando a prova de 21 Km e eu estava inscrito na outra. Perdi a festa da linha de chegada, que tenho certeza ter sido incrível.

Não é para bater palmas para mim, bate palmas para eles, pela dedicação e espírito de doação
de seu tempo (e de suas pernas) para quem gosta de sentir a emoção da corrida, mas que depende de outros atletas para realizar seu sonho. Da minha parte, pretendo participar novamente, sei que minha contribuição foi pequena desta vez.

Sem aqueles votos cafonas de fim de ano, deixo um pensamento para sua corrida em 2018: doe-se um pouco mais daqui para a frente, seja em um grupo como o Pernas de Aluguel, inscrevendo-se como guia voluntário, incentivando aquele seu colega que quer começar a correr ou até mesmo doando aquelas suas camisetas e sacolinhas de provas. Sua corrida será melhor, eu garanto, não só em 2018 mas sempre!

Feliz Ano Novo!


sábado, 30 de dezembro de 2017

2017: Evolução! (e já era hora!)

Mais um ano, e este, do ponto de vista das corridas, foi um dos melhores para mim. Mas ao invés de ficar te amolando com uma porção de provas que já falei aqui, além da tradicional fotinho das medalhas do período, separei dois assuntos para revisar. Espere que dê tempo de escrever sobre o outro antes do fim do ano, por enquanto vamos falar de algo que eu já deveria ter feito há muito tempo: evoluir, coisa que nunca me preocupei na corrida.

Primeiro, um erro

Fiz um planejamento que previa buscar a marca de até 03:59:59 na Maratona de Buenos Aires, que aconteceria (e aconteceu) em 15/10. Porém o projeto teve início muito cedo, e com marcos que não encaixavam muito bem no período. A ideia era correr 3 maratonas
(São Paulo, SP City e por fim Buenos Aires) com tempos de conclusão cada vez menores, porém nem tudo sai como planejado em 10 meses de execução de um projeto desses. No meio dos treinos para a Maratona Internacional de São Paulo tive uma crise de pedra nos rins que prejudicou treinos, a SP City foi trocado pela Maratona de Floripa por motivos operacionais e ficou muito próxima da prova alvo na capital argentina. Todas estas mudanças de escopo foram devidamente gerenciadas, porém o principal problema foi a duração do projeto, desgastante, que me deixou um pouco além do nível de cansaço esperado para uma maratona. Mea culpa, lições aprendidas.

Mesmo assim, os números mudaram

Levando a sério cada linha da planilha que eu mesmo criei com a ajuda das matérias e treinos sugeridos nas páginas da Revista Contra-Relógio (meus sinceros agradecimentos a todo o corpo editorial), consegui baixar gradativamente o tempo em, pasmem, todas as distâncias! Escolhi como consequência direta, duas medidas adotadas (e uma delas não é emagrecimento):

1 – Fortalecimento do Core: não, eu não estou com barriga de tanquinho (tanque, talvez), eu apenas usei a
chatice das sessões de musculação a meu favor, separando um tempo a mais para os exercícios de abdominais. Nenhum ganho visível, não estou parecido com nenhum dos espartanos do filme “300”, mas naquele vai e vem do tórax durante a corrida, a força interna da região aguentou bem melhor os trancos. Quem sabe um dia eu possa largar berrando “This is Sparta!”

2 – Intervalados: sim, aquele treino que você torce o nariz, dá uma garibada e faz de qualquer jeito só para o seu treinador não te encher, bom, sinto te dizer mas ele faz toda a diferença.
Parece até aqueles comerciais de TV vendendo bugigangas: “beeeem, eu costumava não acreditar, mas então o meu vizinho passou a correr melhor e eu disse, puxa, preciso mesmo deste negócio...”. Não vou te vender nada, apenas dedique um pouco da sua rotina a estes treinos, eles ajudam muito a ganhar velocidade.
E no fim das contas, terminei o ano com os valores abaixo, todos inéditos para mim até o momento em que ocorreram, uma vez que minha média em corridas era um pace de 6 min/Km (na listagem, por ordem de distância):


Se olhar com calma, verá que o tempo da Meia Maratona Pague Menos de Campinas já havia sido atingido anteriormente, mas o fato neste caso é que eu estava me recuperando de uma gripe, tossindo até não dar mais, em um percurso cheio de subidas e descidas, e ainda conversando por uns 18 Km com um colega que encontrei logo após a largada!


Que blogueiro babaca, fica se gabando de números que muita gente faz com um pé nas costas. Atenção “haters” que não leem as coisas direito e já saem comentado bobagens, o objetivo não é “o que”, mas
“como” consegui evoluir no ano que passou. Quero deixar o recado para você que, se tem alguma meta, o caminho não é fácil mas se conseguir gerenciar, vai atingir. Talvez não tenha conseguido meu número mágico de 03:59:59 nos 42 Km, mas 2018 está aí, ainda tenho mais algumas chances.

Pelo nível de detalhe dos números acima você percebe que eu controlei tudo na ponta do lápis, ou melhor, da planilha. Inclusive, é claro, o peso corporal, entre outras variáveis.

Por fim, uma frase para você pensar no assunto:

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”

(William Edwards Deming)


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Precisamos conversar sobre a Maratona de Sorocaba

Já é senso comum entre os corredores de rua que a primeira edição de uma corrida pode (e vai) ter falhas, mas que de alguma forma poderá atender ao que se é esperado, seja diversão, meta pessoal ou simplesmente estar lá presente desde o nascimento do evento. Da minha parte, um pouco de irresponsabilidade em participar de mais uma maratona neste ano de 2017 (já havia feito, 4, apesar de uma ter sido em ritmo de treino), porém eu tinha um objetivo específico e a prova parecia atender diversos critérios. Facilidade de acesso, pois Sorocaba está a menos de uma hora da capital paulista, preço compatível com as demais corridas e a dedicação que a organização estava tratando a competição, pelo menos pelas impressões passadas pelo site da prova, que aconteceu no último dia 19/11. Mas, infelizmente, vários pontos precisam ser melhorados para que novas edições aconteçam.

O site da prova pareceu completo, trazia informações do percurso, vídeos, perfil altimétrico e atrações programadas. A largada às 06:15 da manhã de um domingo era o diferencial que a maioria dos corredores já solicitaram diversas vezes e poucos organizadores ouviram, sendo que o evento estava dividido em provas de 21 e 42 Km para o domingo e uma de 5 e 10 Km para o sábado de manhã. Outra excelente característica era a possibilidade de se inscrever por portais diferentes de inscrições, que cobram taxas distintas e que facilitam a escolha quando o corredor já possui cadastro. Também digno de elogios é o repasse das informações na semana da prova através de e-mails, onde todos os pontos foram revistos e confirmados. Palmas para a organização, que também permitiu a retirada no próprio dia do evento.


Sobre o kit, bem simples, sacola, brindes, camiseta e número de peito. Havia a possibilidade de escolher a cor da camiseta (rosa ou azul), o que ficou um pouco estranho uma vez que a prova era alusiva à campanha Novembro Azul da prevenção do câncer de próstata. Fato curioso, vi alguns corredores com viseira e squeeze, e no dia da corrida conversei com um atleta que me perguntou se eu havia recebido, pois nem todo mundo ganhou estes brindes, também sem confirmação. Com largada no Parque das Águas, tradicional local de eventos da cidade de Sorocaba, a estrutura da prova ainda sofreria com a forte chuva de sábado, com tendas derrubadas e outros problemas estruturais, porém atendeu de forma satisfatória os corredores no domingo. Um hotel da região, localizado a aproximadamente 2 Km da largada/chegada foi eleito como Q.G. da prova, e por isso sua lotação foi praticamente composta de corredores. O Sorocaba Park Hotel nos atendeu de forma impecável, com café da manhã completo a partir de 05:00 da manhã e extensão do horário de saída para 14:00, além dos ótimos serviços e acomodações.

No domingo, partimos com aproximadamente 5 minutos de atraso, mas com ótima dispersão em uma larga pista, o que permitiu que todos tomassem seus ritmos sem gargalos. Porém logo nos primeiros Km, um acidente entre um corredor e uma moto que circulava na faixa contrária causou tumulto. Todos errados, o corredor saiu do grupo para ajustar o tênis, o motoqueiro não teve o bom senso de andar devagar em meio ao evento e a organização não separou e
sinalizou o trânsito devidamente. Também sobre sinalização, as primeiras placas de Km foram afixadas em carros nas laterais das pistas, ótima visualização, porém nos trechos finais faltaram algumas delas (ou faltaram carros, talvez).

A prova foi anunciada como sendo “90% de reta na parte inicial (primeira volta)”, com pouca altimetria. Lenda. O percurso era composto por generosas subidas, e para uma distância longa, isto deveria ter sido melhor enfatizado. Muito corredor se inscreve em provas desafiantes, e não haveria problema em divulgar este fato, mas sabe como é, melhor não desanimar os demais desnecessariamente. O percurso, porém, apresenta um outro problema, passa praticamente por locais isolados, uma área industrial de Sorocaba, então o único público está em automóveis, muitas vezes represados pelo controle de trânsito e com motoristas estressados. Sobe e desce interminável, zero participação de público, 2 voltas para completar os 42 Km... teria sido um completo desastre não fosse o excelente trabalho do staff ao longo do percurso distribuindo água e outros itens, controle muito bom dos agentes de trânsito (apesar do acidente) e clima agradável na maior parte do percurso.

Porém o pior estava por vir. Desanimei de correr logo na primeira volta e quaaaaaaase entrei pelo pórtico nos 21 Km para acabar ali mesmo. Mas dada a teimosia desta criatura, continuei e acabei
enfrentando o trajeto tortuoso. A meta passou então simplesmente terminar abaixo de 5 horas, tempo que considero ser o mínimo de honra para um maratonista. Dito e feito, tempo líquido 04:59:23, e a surpresa final. Quem corresse sábado e domingo ganharia 2 medalhas, que iriam compor uma mandala, sendo que maratonistas ganhariam ambas. Porém ao receber a primeira, a maior, uma pessoa da organização informou que havia ocorrido um “problema” e que “pipocas haviam pego medalhas e agora estava faltando”. Deixa eu explicar em detalhes:

Entregar medalha (ou qualquer outro item) para pipocas é o máximo de desrespeito que uma organização de corrida pode proporcionar aos corredores pagantes.
Se é assim, no próximo evento eu simplesmente não pago e vou!

Vamos elogiar então o trabalho da própria organização, que reconheceu o erro, recebeu as devidas críticas dos corredores no momento e anotou cada um dos nomes e telefones, entrando em contato no dia seguinte para solicitar endereço para envio da medalha. Demorou um pouco mas chegou. Ponto positivo, mas o transtorno poderia ter sido evitado, bastava dizer “NÃO” aos pipocas.

Eu gostaria de deixar claro que este não é um post de “hater” simplesmente, quem já leu os demais que eu postei sobre corridas e maratonas sabe que fico muito feliz em relatar os pontos bons das corridas, mas que quando é necessário eu exponho fatos não muito coloridos. O blog não tem por objetivo formar opinião ou angariar inscrições gratuitas para mim (como muito blogueiro faz, diga-se) e esconder os acontecimentos do leitor, por quem tenho a maior consideração por estar passando aqui pelo meu espaço.


Desejo, sinceramente, que possam ocorrer melhorias e que a prova tenha vida longa, mas para o momento restou relatar os fatos, que não foram lá muito divertidos.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

¡Corriendo con los hermanos, en la preciosa Maratón de Buenos Aires 2017!

Agora que já "gastei" o meu espanhol no título, vamos falar um pouco da experiência de correr na que é considerada a maior maratona da América do Sul, a Maratona de Buenos Aires, que no último dia 15 de outubro completou sua 33a. edição pelas ruas da capital portenha. Do ponto de vista tupiniquim, continua interessante para nós brasileiros, como voos diretos e preços acessíveis, idioma muito próximo ao nosso, clima geralmente ameno e rede hoteleira preparada para o evento, sem deixar a importância de ser uma prova em outro país.


Até onde acompanhei pelas notícias o desenho do circuito utilizado foi alterado para esta edição, e por já ser um conhecedor da incrível experiência de caminhar pelas ruas de Buenos Aires, o trajeto é realmente muito bacana, passando pelos principais pontos turísticos e contemplando todas as regiões mais famosas da cidade.

Largando próximo do Monumental de Nuñez, estádio do time de futebol River Plate, indo em direção à Av. 9 de Julio, tomando o rumo do bairro de La Boca e passando ao lado de La Bombonera, estádio do Boca Juniors, indo em direção à Puerto Madero e depois tomando o rumo de volta à largada e passando ao lado do Aeroparque, uma viagem de 42 Km inesquecível e praticamente plana para os corredores. Detalhe, para os mais de 10 mil corredores que só tinham uma opção nesta prova, a distância oficial da maratona, nada de inflar os números com distâncias menores como os organizadores brasileiros gostam de fazer. Todo mundo ali focado no desafio dos 42.195 metros, ou seja, uma maratona "pura", como ainda nos falta aqui.

Falando um pouco sobre o processo de inscrição, tudo é muito simples, inclusive para o estrangeiro, sendo necessário prestar bastante atenção apenas à menção do documento de viagem que será apresentado para a retirada do kit, pois os brasileiros contam com a possibilidade de viajar para a Argentina portando somente o RG, mas que deve estar em boas condições e ter menos de 10 anos de emissão. Para quem vai de passaporte, atenção se o prazo de validade não é inferior a 6 meses e mais ainda se já existe uma troca programada entre a inscrição e a viagem, pois o número com certeza irá mudar (e você terá que viajar com os 2 documentos neste caso).
O valor é um pouco alto comparado com nossas provas, US$ 80,00, o que dá no câmbio atual um pouco mais de R$ 260,00, mas não é todo dia que você se inscreve numa prova dessas, vale a pena sacrificar umas 2 ou 3 aqui para um evento deste porte. Outro detalhe, muito, muito importante, é a apresentação de um atestado médico que libera o corredor para participar de provas de longa distância e que, acredite em mim, será cobrado e conferido na retirada do kit. Pode ser em português mesmo, não precisa ser no formato indicado pela organização, mas deve ser apresentado, e nos meses que antecedem a prova o corredor será lembrado diversas vezes por e-mails automáticos, ou seja, sem desculpas para quem acha que pode dobrar as regras do regulamento.

Talvez um pouco decepcionante seja a feirinha de retirada do kit, pois apesar de toda a eficiência na
entrega da camiseta, chip (retornável), número de peito e brindes, os stands não ofereciam grandes diferenças do que é por exemplo, a feira da Maratona Internacional de São Paulo. O patrocinador Adidas obviamente dominava o espaço com seus produtos, e os corredores pareciam se divertir mais tirando fotos ao lado dos painéis comemorativos do que fazendo compras. Mesmo assim, tudo muito organizado, apesar de ser uma região próxima da largada, mas com acesso meio complicado. Kit retirado na sexta-feira, logo após instalar-se na cidade, então agora o difícil é ficar parado, pois Buenos Aires é
muito convidativa a longos passeios a pé, o que pode não ser aconselhável para quem já tem 42 Km marcados para o domingo de manhã. Para mim este negócio de ficar de pernas para o ar não funciona, então o jeito é curtir a cidade sem exageros (e isto é possível lá? com tantos cafés excelentes pelo caminho...)

Largada prevista para 07:00 da manhã, corredores agitados no saguão do hotel Dazzler Polo na região de Palermo, apesar do restrito café da manhã oferecido. Encontramos um casal da Cidade Maravilhosa e dividimos o táxi até a largada, que estava a aproximadamente 4 Km, trocando experiências de corrida das
capitais paulista e carioca. Um ponto ruim, que muito lembrou as grandes provas no Brasil foi a pouca oferta de banheiros químicos, com filas de quase meia hora e que prejudicou o posicionamento inicial de muitos corredores, eu inclusive. Partimos com a agradável temperatura de 17 graus Celsius, e o mar de gente era interminável. As largas avenidas de Buenos Aires comportaram a massa de corredores, que em pouco tempo aderiu a seus respectivos ritmos e prosseguiu ordenada e falante, especialmente no idioma português que se ouvia por todos os cantos. Não espere torcida nas ruas nesta prova, ela é praticamente restrita ao trecho final onde amigos e familiares o aguardam. Inclusive pode ser encontrado um pouco de stress no trecho da Av. 9 de Julio, pois muitos pedestres precisam cruzar as largas faixas e é claro, os corredores atrapalham.


Com o sol começando a dar sinal de que iria esquentar o boné dos participantes, a hidratação não poderia estar melhor servida, com água gelada e isotônico Powerade muito bem distribuídos, além de frutas como banana e laranja em diversos pontos. E nada de distribuir gel de carboidrato desconhecido, o que acho uma aberração em provas, pois muito corredor no desespero se arrisca com marcas não testadas nos treinos e prejudica o próprio planejamento. Por falar isso, cometi o erro de perder um dos sachês do gel que havia levado, que se soltou e sumiu na multidão que vinha atrás, porém estava abastecido de outros 3 que seguraram a barra até o final.

(foto devidamente comprada do site Fotorun)

E meus 15 segundos de fama aconteceram na TV portenha quando estávamos próximos do bairro de La Boca, onde um corredor corria e entrevistava os demais à minha frente. Uma corredora com a camiseta da Bolívia corria logo adiante e conversava com um corredor que apontava uma câmera de esportes, e eu logo fiquei atrás da dupla. Sem saber, aquele corredor-reporter era Daniel Campomenosi, do programa Buenos Aires en Carrera, do Canal de la Ciudad. No vídeo abaixo, muito bacana, próximo ao minuto 27:00 é possível ver o ser desajeitado aqui correndo logo ao lado, tomando um copo de isotônico.



Tudo ia bem, porém como já previsto eu iria diminuir um pouco após o Km 28, porém o ritmo caiu mais do que deveria. Minha meta era
fechar abaixo de 4 horas, mas o relógio oficial final cravou 04:10:00 no tempo líquido, ainda assim meu melhor tempo desde que enfrentei a distância de 42 Km pela primeira vez.

Lindíssima medalha, e olha aí organizadores brasileiros, uma medalha envernizada é algo para a vida toda do corredor! Sobre a medalha conversamos depois, sem fazer contas ela acabou sendo comemorativa de minha 250a. linha de chegada, por isso ganhará um post especial sobre o assunto.


O mundo oferece muitos destinos para correr, inclusive com preços próximos desta prova, mas este é um evento que dá vontade de voltar, por sua organização, belíssima cidade, percurso agradável e especialmente pela massa de corredores que está sempre ao redor.

domingo, 3 de setembro de 2017

Maratona de Floripa, linda, fria e boa para recordes pessoais

Parece que foi ontem que fiz minha primeira maratona... e quando cheguei em casa moído e descobri que a resistência do chuveiro havia queimado! E agora, depois de 8 anos desde este dia, no último 27/08, e de forma absolutamente irresponsável, termino minha 20ª participação na distância dos 42.195 metros, com um recorde pessoal que não foi nada fácil de alcançar para o meu nível de treino e condicionamento físico: 04:14:38. Lá vamos nós de novo, a mesma discussão: esta foi a de número 20 ou 21? Afinal, no Ironman tem uma maratona em distância oficial, então... triatlo é outra coisa, Ironman mais ainda, então é 20, este é o número e pronto!

Eu gostaria de entender porque vendem a Maratona de Floripa, antiga Maratona Caixa de Santa Catarina, como sendo “plana”, afinal,
as elevações são leves, mas estão lá, basta olhar o perfil altimétrico do evento. E para completar, muitas das curvas na belíssima Av. Beira Mar Norte são no estilo “tombo”, ou seja, com caimento para um dos lados da pista, já que o limite de velocidade dos automóveis neste trecho é 80 Km/h. Mas é claro, comparado com a Maratona de São Paulo, ou a de Curitiba, sim, ela é bem plana, o que favorece o estabelecimento de melhores marcas. Absolutamente sem poluição, porém com ventos que hora ajudam e hora atrapalham o corredor, grande parte do percurso é pela orla, porém com um trecho bem chato em direção ao aeroporto e passando pelos túneis.

Porém o mais complicado, tanto para novatos quanto experientes, é o trecho final, pois ao passar pelo Km 32, ao seu lado estará a chegada, e este ano o organizador ainda colocou um placa informando que ainda faltavam 10 Km para completar a “sua” maratona. Muita gente desanima e caminha, eu mesmo já passei por isso há dois anos atrás, quando vinha em um ritmo bom mas “quebrei” ao ver que teria que fazer de novo boa parte do trajeto. O segredo: neste ano fui preparado, afinal, 10 Km é só um treininho de final de semana, e quantas vezes não repetimos o mesmo percurso?

Falando um pouco da organização, a retirada do kit aconteceu em uma loja e esportes no shopping center que fica a menos de 1 Km de largada, e você já sabe que eu defendo esta ideia de que o corredor que chega fácil até a largada chega também sem esforço à retirada do kit, ou seja, ponto positivo. Camiseta, sacolinha e brindes, além de chip e número de peito, agora é bater perna sem forçar na deliciosa Florianópolis.




e até provar um pouco das opções de fontes de carboidratos da região (sem exagero, é claro) ...


A largada estava prometida para as 06:45 mas passou um pouquinho, mesmo assim com um vento frio e temperatura perto do 17 graus, excelente para correr. Boa dispersão na larga avenida e
cada um pegou seu ritmo sem atropelos. Alguns pontos afunilaram mais à frente para não travar o trânsito, mas sempre com boa fluidez. No Km 14 passamos novamente pela largada, onde as 08:00 partiram os corredores de 5 e 10 Km, e seguimos para o centro e sul da ilha. A prova também contava com um revezamento de duplas, o que é ótimo em uma maratona, pois o corredor de 21 Km está em um ritmo mais forte que o de 42, e isto puxa um pouco o ânimo dos mais lentos, como eu.

Hidratação muito boa, uma pena o patrocinador de isotônico (que não vou citar o nome) ter sido bem muquirana e colocado apenas 1 ponto de abastecimento, além de dar somente 1 copo na chegada, o que gerou filas após o recebimento da medalha. Do ponto de vista de organização, só uma falha, no retorno da maratona no Km 37 o voluntário não direcionou os corredores e dividiu em 2 faixas de retorno, uma a cada lado da que estava indo, ou seja, na volta muitos precisavam cruzar o percurso, o que poderia ter causado algum acidente desnecessário.


E aí está, o pangaré finalmente conseguiu correr uma maratona como ela deve ser corrida... com a faca nos dentes!



Recomendação e agradecimentos ao excelente hotel Castelmar, muito próximo da retirada do kit e da largada e que presenteou os maratonistas hospedados com um café da manhã (completo!) desde às 04:30 da manhã, uma hora mais cedo que seu horário normal.